segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

O dia que dei peidos vaginais




            Ninguém nasce sabendo como lidar com as situações constrangedoras decorrentes do sexo. E, por mais que tenhamos uma família moderna e com boa comunicação, existem dúvidas que não podemos perguntar para nossos pais, pois vira uma via de mão dupla de embaraço. Com eles preferimos sempre pensar que viemos da cegonha. E sexo não é uma tarefa fácil e simples, nem pra pessoas normais, imagina pra mim, que pra conseguir me masturbar preciso de um espelhinho na frente pra não errar o buraco de tanta falta de prática no assunto.
            Mesmo não sendo a pessoa mais sexual existente de vez em quando eu pratico o coito, por medo que o hímen cresça novamente e não querer ter que rompê-lo outra vez, a primeira já foi extremamente traumática. Fico pensando nessas mulheres que falam que a primeira vez foi linda, foi incrível... Só se foi com um micro pênis que encosta a cabeça no hímen e pensa que já chegou ao útero.
            Mas o sexo realmente é um terreno para situações conflitantes e eu digo isso por entrarem em conflito com o que a sociedade espera das mulheres. Não é bem visto no meio social mulheres tendo relacionamentos casuais, se masturbando ou falando palavras de baixo calão.  Eu me lembro de algo muito vergonhoso que vivi logo que passei a ser uma adulta sexualmente ativa, com o primeiro cara que fui transar sem namorar, porém, antes de contar a historia preciso ressaltar que eu nunca tinha feito sexo na posição “de quatro” antes. Namorei por longos três anos e nenhum de nós dois tivemos experiências anteriores então não conhecíamos a fundo as posições para transar. Findado o relacionamento resolvi liberar geral e fazer tudo que não tinha feito até então.
            Logo após terminar tal namoro conheci um cara que tinha a mesma idade que eu, estávamos os dois com 19 anos e para mim o mundo era uma festa. Estava no meu primeiro ano de faculdade, primeiro ano morando longe dos meus pais, primeiro ano curtindo a vida de solteira e com muita vontade de realizar experimentos sexuais os mais variados que pudesse, com o maior número de pessoas que topassem.
            Conheci Rafinha através de amigos em comum e marcamos um encontro em um barzinho perto da faculdade, ambos frequentávamos a UFRGS na época. Realmente um menino muito bonito, porém sem muito conteúdo intelectual e meu primeiro questionamento foi como que ele teria passado no vestibular. Como não sou um alguém que consiga guardar tais perguntas para si, depois de sentados na mesa e devidamente apresentados eu falei:
- Pra qual curso tu passou? Perguntei, tentando ser discreta.
- Pedi transferência interna de uma faculdade privada do curso de...
(Nesse momento parei de escutar, já pensando: “começou a fazer sentido...”, pois, quando somos jovens e estudamos em instituições de ensino superior públicas temos uma severa impressão que todas as demais faculdades servem para abrigar os mentalmente desafortunados).
            Continuei a fazer um esforço cerebral para permanecer conversando com o rapaz, pois ele era lindíssimo: alto, cabelos lisos e escuros, olhos azuis e corpão sarado. Mas o cérebro era disfuncional em quase toda sua totalidade.  
- Então Rafa, qual foi o último livro que tu leste? Perguntei.
- O Pequeno Príncipe, em audiobook.
- Mas audiobook não é ler, Rafa, audiobook é ouvir uma historia.
E assim o diálogo permaneceu, eu fazendo perguntas que ele não entendia, ele dando respostas que não me interessavam. Chegamos num ponto em que realmente estava sem ter o que falar e sem paciência pra ouvir o que ele dizia então perguntei:
- Tu costuma conversar durante o sexo?
- Nossa gata, que curiosidade estranha!
- Eu sou assim mesmo, excêntrica. Mas me responde?
- Não gata, eu não falo durante o sexo.
- Ok, então vamos transar?
Ele não entendeu o porquê da minha pergunta, mas concordou com a proposta e nos encaminhamos para um motel. Na verdade, nos encaminhamos para um ponto de táxi, e foi quando as coisas realmente começaram a ficar peculiares. Ir pra um ponto de táxi e pedir pra ser levado em motel é como pegar o fato de ir a uma farmácia comprar KY e elevar à nona potência do embaraço. O motorista instantaneamente nos olhou com aquela cara de “vão transar né”, para logo em seguida olhar pra ele com aqueles olhos de admiração e para mim como se estivesse vendo uma puta. Como eu fico com muita raiva com atitudes machistas, meu sangue ferveu e eu desatei a falar sem parar:
- Moço, o que tem de errado mulher ir para um motel? Pois assim se homens heterossexuais são vangloriados por irem e mulheres são crucificadas, ELES VÃO ACABAR INDO COM QUEM? Não moço, tá ERRADO ISSO!!! POR QUE PRA ELE TU OLHOU COM TANTA CONSIDERAÇÃO E PARA MIM ESTÁS OLHANDO COMO SE FOSSE UMA PUTA COM UMA TETA PRA FORA???
- Desculpe moça, eu não sei se a senhorita é puta, mas a senhorita está mesmo com um seio à mostra...
E foi então que olhei para baixo e boa parte da minha mamica estava para fora da  blusa tomara-que-caia e eu não tinha sequer reparado ou sentido e não fazia ideia de quanto tempo fazia que estava assim. Passados alguns minutos, minha vergonha e choque inicial, eu virei pro Rafa e:
- E TU, NEM PRA ME AVISAR!!!!
E o infeliz começou a balbuciar palavras aparentemente desconexas, enquanto tentava me pedir desculpas de alguma forma; eu não sabia se colocava a teta que estava fora pra dentro ou colocava a que estava dentro, pra fora. O motorista, coitado, completamente envergonhado, só piorou quando, no meio do caminho e num trecho que era longe de tudo, o carro pifou. Nessa altura eu queria muita coisa, porem, com certeza, sexo, não estava incluído.
            Rafa e eu descemos do carro, fomos esperar a função do carro terminar sentados numa sombra e eu, agoniada e faladeira como sou, voltei a tagarelar numa tentativa de conseguir uma conversa minimamente decente. Não obtive sucesso e parei de tentar quando ele veio falar sobre a série de musculação que fazia na academia e os suplementos alimentares que tomava pra diminuir o percentual de gordura do corpo. Não que eu considere assuntos relacionados à saúde supérfluos, o que aconteceu foi que meu cérebro auto implodiu quando ele falou:
- Me importo muito com minha aparência, acho lindo uma barriga sarada, um IMBIGO bonito. AGENTE tem que se esforçar cada vez mais pra ser bonita, quanto maior nossa autoestima, MENAS chance tem de ter depressão, me falaram.
- E nossa língua materna acabou de sofrer uma agressão forte agora né, bonito... , eu disse. E ele não compreendeu.
            O taxista ligou pra esposa e pediu que fosse nos buscar, pois não estava conseguindo consertar o carro. Na verdade, ele perguntou se preferíamos ir embora com a esposa dele ou com o seguro e eu pensei que quanto menos gente soubesse da situação, melhor, pois ir de guincho para o motel já era demais ate pra mim.
            A esposa, Anastázia, chegou e causou sensações variadas por nós, pois ela era inacreditavelmente linda. Eu já queria era ir com ela para motel, e aposto que o Rafa estava pensando o mesmo. O motorista do táxi, Stivenson, pediu para Ania (apelido para Anastázia) nos levar enquanto esperava o carro do seguro. Ao chegar ao motel eu olhei pra ela e perguntei:
- Tem certeza que não quer ficar? De qualquer forma fica com meu telefone, vai que uma hora tu mudas de ideia.
Passei meu número pra ela e entrei com o Rafa. Ao entrarmos no quarto queríamos muito tomar banho e descansar.
            Passamos um bom tempo na banheira e finalmente começamos a transar. Em algum momento fomos para a cama e ele me colocou de quatro. Começou a penetração e daqui a pouco:
PRRRRRRRRRRR
Minha perereca começou a peidar. Ele entrava com o pau, a perereca soltava os puns. E eu, não sabendo que aquilo era possível, comecei a achar que meu intestino estava fazendo ligação direta com a xereca e mandando os gases por ali. Senti-me péssima, pois, peidar, ok, normal; peidar EM ALGUÉM era completamente vergonhoso. Resolvi, por incrível que pareça, ficar quieta, para não piorar a situação e torcer que ele gozasse logo para terminar com a tortura. Quando eu pensei que a situação não poderia piorar, ele disse:
- Gata, curti esses peidos vaginais. Que tal meter no cuzinho pra sentir o ventinho traseiro?


sexta-feira, 25 de outubro de 2019

A noite que passei no xilindró



Já aprontei muito nesta minha vida, acho que toda merda que estava ao meu alcance, era alcançada com magnitude.  Talvez pela minha condição médica de extrema burrice, falta total de maturidade e sonho de querer fazer parte do elenco de “Jackass”, sempre foi natural tentar fazer as maiores estupidezes que eu poderia.
Com essa minha personalidade eu entrei no curso de Farmácia, na UFRGS, tantos anos atrás que não vale a pena comentar a exatidão dos números. E sendo assim que eu topei fazer parte do trote de início do curso. E o trote tinha dois objetivos: juntar dinheiro para a festa de abertura do curso e humilhar os calouros.  Algumas pessoas da galera se organizaram para vender rifas e assim conseguir o dinheiro. Eu já pensei que era algo muito chato e uma experiência merreca de início de curso. Estava em busca de emoção, e vergonha.
Assim sendo o grupo dos mais alternativos – ou dos sem noção – resolveu que íamos conseguir o dinheiro em sinaleira. Como a tática de ficar todo emporcalhado só servia para causar asco às pessoas, de atirarem até objetos para que não se aproximassem delas naquele estado, optamos por outra: apelo ao sexo. Não estou dizendo que alguém iria vender o corpo sexualmente, só para ficar claro, prostituição é crime. A ideia era que alguns de nós iriamos mostrar a bunda, no sinal fechado, e esperar que nos dessem dinheiro por isso. Para tanto, as melhores bundas foram selecionadas, dentro dos critérios, tais como: bundas não peludas, mais arredondadas e não pelancudas, ou seja, só a das gurias e de um dos meninos (que por acaso era a mais bonita entre todas).
O que acontece é que nem os mais caras de pau conseguem fazer um disparate destes, sóbrios. Sem a coragem líquida estávamos cientes de que íamos jogar batalha naval sem os navios. Compramos então duas vodcas com o orçamento que tínhamos: 50 reais. Um adendo: duas vodcas para cada um da equipe, e assim deixo, à imaginação do leitor, pensar sobre a qualidade da bebida.
Organizamos a equipe da seguinte forma: quatro pessoas mostrando a bunda e os outros quatro dando apoio, que funcionava assim: dois recolhiam o dinheiro, um cuidava do dinheiro recolhido e supostamente da segurança de quem estava se expondo e o outro completava a nossa humilhação fazendo vídeos para a internet. Era nosso plano B para conseguir arrecadar alguns trocados.
O plano estava dando muito certo. As pessoas riam se divertiam, e nos davam dinheiro. Até que Diego mostrou a bunda em sua vez e um senhor ficou encarando muito e em poucos segundos ouvimos a senhora ao lado dele gritando, mas muito alto, todos que estavam em volta conseguiam escutar:  
- Eu não aguento mais, Alfredo, passou a vida me traindo com outras pererecas e, quando eu penso que parou, tu começas a querer comer cu??? Ahhh eu vou me separar, mas primeiro vou chamar a polícia.
Achamos que era algum ataque nervoso de uma senhora que já teria sido muito traída ao longo de sua vida, mas que ela não iria levar a cabo a ideia de ligar para polícia. Ou se ligasse, eles ignorariam por entender que se tratava de trote de faculdade, e eles realmente assim procederiam, não fosse um pequeno detalhe: a velha era deputada que fazia com que o orçamento policial fosse ampliado, fato que nos era desconhecido até o desenrolar dos fatos.
Quando foi a minha vez de levantar a saia e mostrar a bunda, fico de costas, faço o show e 5 segundos depois ouço uma sirene tocando atrás de mim. Sim, fui presa, acusada de ato obsceno. Passei a adolescência inteira fumando maconha em todos os lugares possíveis e nada me aconteceu. Mostrei a busanfa em um trote de universidade, fui levada de camburão.
Como eu era ré primária, e de delito leve, me ficharam e resolveram não prosseguir com o processo, e que me soltariam assim que chegasse alguém para me buscar que se responsabilizasse por mim. Senão, passaria a noite encarcerada.
Liguei para casa e quero reproduzir o diálogo. Primeiro, meu avô atende:
- Oi vô, fui presa, preciso que alguém venha me buscar.
- Maconha de novo, Gabriela?
- Não vô.... Nunca fui presa em função de maconha. É que eu mostrei a bunda numa sinaleira, trote de faculdade, e a polícia me enquadrou.
- O quê???????? NÃO ACREDITO!!!!! Tu nunca foste presa mesmo em razão da maconha???
Passou o telefone pra minha mãe, resmungando “perdi o bolão dos meus amigos da bocha, tinha certeza que a guria já tinha sido presa por maconha e que era a neta mais delinquente da turma”. Minha mãe atende dizendo:
- O que tu fez?
Expliquei. De novo. E ela:
- Ok, foi presa por mostrar a bunda, agora faz assim, mostra aí a perereca e sobrevive esta noite, que amanhã eu te busco.


quarta-feira, 2 de outubro de 2019

O dia que eu descobri ser amante virtual


             Eu nunca fui muito boa em relacionamentos, tanto que estou super bem... encalhada. Não estou aqui reclamando, ao contrário, estar encalhada me propicia diversões que jamais teria se estivesse num relacionamento com alguém ciumento.
            Não pensem vocês que isso é vontade de dar muito, não é, mas é sentir as bolas que eu NÃO TENHO se encolherem quando alguém tem crise de ciúmes. E normalmente essas crises vêm acompanhadas de muita discussão de relacionamento, um dramalhão idiota e completamente desnecessário.
            Outros pontos que assim eu evito são as cobranças, e o grude. Incrível como as pessoas estão carentes e grudentas. Ah, e malucas. Parece que se não estiverem o tempo todo juntas, dormindo juntas, tomando banho juntas, cagando juntas, não é o suficiente. Tem aquela necessidade de que a cada cinco frases, duas serem “eu te amo”.
            Não pensem que eu, sendo assim, sou fã de traição, pois acho um ato de deslealdade abominável. Se o casal se propõe a ter um relacionamento monogâmico, que cumpra a risca.  A vez que eu descobri ter sido traída eu não soube lidar nem um pouco bem com a situação. Peguei um balde, enchi de gelo e acordei-o jogando o balde de gelo no saco. E depois até rolou um arrependimento, pois tinha vontade de chutar as bolas, e elas, anestesiadas.
            Outro motivo de ser tão ferrenha contra traição é minha filha ser fruto de uma. É sim, o lixo humano bolsominion genitor da minha filha, quando me conheceu, mentiu sobre o status de relacionamento. Resultado: o universo conspirou contra mim e me deu de presente uma criança maravilhosa, que faz eu pagar todos os meus pecados, diariamente.
            Juntando todos esses fatores, eu virei poliamorista. Sem relacionamentos monogâmicos, sem maiores chateações. E ser poliamorista, pra mim, que não sou a maior fã de sexo, também tem outra vantagem: ao me autoproclamar assim, as pessoas tem medo de se envolver comigo.  Não preciso liberar a buceta e nem aguentar encherão de saco. Encontrei-me.
            Foi com esse pensamento que dei conversa pra um boy, humorista também, carioca (sim, tenho tara por sotaques) que disse que queria testar o relacionamento poli comigo. Ah meio que achei fantástica a ideia, o cara era desprendido, comediante e o melhor de tudo: morava longe. Raramente eu teria que liberar a periquita. Então dei o sinal de “ok, podemos tentar”.
            Então a situação começou a ficar estranha, ele passava uns dias sem sequer me dar um oi. Como eu sou muito fã de pessoas desapegadas, achei que era porque ele não queria me perturbar. E realmente não perturbava. Só que ele tinha se esquecido de me comentar um PEQUENO detalhe: ele já era casado. E em um relacionamento monogâmico.
            Fiquei muito braba mesmo. Achei tanta falta de caráter, querer me enrolar se fazendo de solteiro, e fazendo planos de trair alguém que, com certeza, não merece, que resolvi escrever esse texto para alertar a todos: não traiam. Nem tentem. Podem se esbarrar numa doida como eu, que além de nunca apagar as conversas do whats, adoro fazer print uma telinha....

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Férias em família


             Poucas vezes minha família se reuniu para viajar juntos. Os motivos englobam: muitas brigas por besteiras e discussões infinitas sobre quem paga o que. Eu tenho uma razão pessoal de não querer viajar com eles: como se já não bastasse minha facilidade de me auto humilhar, eles tem uma grande inclinação para me ajudar a piorar qualquer situação. Na nossa ultima tentativa, enquanto eu tropeçava em cima do garçom com toda comida, meu vô apertava a bunda da garçonete e meu irmão e primos faziam concurso de arroto e peido na mesa em um restaurante lotado.
            Desta vez eu tinha decidido que, apesar de ir com eles, eu manteria minha distância, faria minhas cagadas sem intromissão familiar. Fomos então para a praia. Não que algum dia tenhamos feito diferente, é sempre muita criatividade rolando solta pra escolher o local.
            Eu tinha baixado um aplicativo de encontros chamado Happn, que funciona mostrando as pessoas que cruzaram o teu caminho, e tens a opção de mandar mensagem para tais indivíduos. Assim, meu caminho e do J. se cruzaram. Gostei da foto, estava vivendo minha fase “loiro (a) de olhos claros”, e ele assim era (é, acredito que ainda esteja vivo).  Começamos a conversar, verificamos alguns pontos em comum que nos fizeram ter vontade de continuar a conversa, pessoalmente. Marcamos num restaurante próximo a onde eu estava hospedada.
            Chegando lá eu reparei que tinha um palco de karaokê. O que eu não vi logo de chegada que era o meu crush em cima do palco, começando a cantar  a musica mais dor de cotovelo da historia: Evidencias ( pra quem não lembra, a letra é algo assim: “ e nessa loucura, de dizer que não te quero, vou negando as aparências, disfarçando as evidências..”), apontando com o dedo indicador na minha direção, cantando com uma voz de tenor de manicômio e fazendo todo o ambiente olhar pra minha cara e rir , e acho que era de pena. Meu primeiro instinto foi fugir e o deveria ter ouvido, mas aqueles olhos azuis dele me cativaram a sentar numa mesa e aguardá-lo.
            Terminado o vexame inicial, ele se encaminhou à mesa. Logo que ele começa a falar eu começo a sentir um cheiro podre, de algum bicho em estágio avançado de putrefação e penso que alguém da mesa próxima estava peidando mais fedorento que eu quando como feijão com repolho e ovo. Não era a mesa ao lado, era ele. E não era peidando, era falando, era a putaquepariu do bafo nojento dele que mataria alguém se ele resolvesse gritar na cara da pessoa. Sem exageros. E ele não parava de falar, fazendo que todo o ambiente ao redor ficasse impregnado. Meu único e errôneo pensamento no momento era que não tinha como piorar. Mas tinha. Minha família inteira resolveu ir jantar lá naquela mesmíssima noite.
            Os Buscapé (como eu denominava meus parentes) começaram a beber, e até então tudo bem, eu não tinha morrido com o odor produzido pela boca de J., que era fortemente sentido mesmo a distância segura de uma mesa, e eles não tinham me visto ali. Ainda. Assim que meu irmão pisou no palco mais bêbado que turista em micareta, me avistou e gritou:
-Mari, vem pro palco cantar comigo, ele grita.
            “Fudeu, fudeu de vez agora” eu penso, e logo vou juntar-me ao bonito, pois era melhor que ficar sentindo o hálito de hiena do moço ali. Eis então que  e vem uma ideia de gênio: vou cantar com voz de Anderson Silva gripado assim o querido fica com vergonha e vaza de lá, e eu posso juntar-me aos Buscapé pelo resto de noite. E assim subi ao palco com meu irmão para cantar “This Love” do Maroon 5. Depois da pior (ou melhor, depende do ponto de vista) performance da minha vida, o bafento continuava lá e aplaudia meu desastre musical. Tive então um insight de ALTÍSSIMO NÍVEL: vou pedir ajuda ao meu irmão. E contei pra ele sobre as questões bucais de J.
            Vinícius (meu irmão) vai até a mesa, olha pra ele e fala:
  Acredito que minha irmã não vai voltar a sentar contigo.
  Por que?
  Porque tens o pior bafo que algum ser humano já sentiu.
            Obrigada, mano. Fico te devendo

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Primeiro...


Todos tiveram um primeiro amor. Até os seres humanos que melhor poderiam ser caracterizados como ¨curvas de rio¨ tiveram o seu. Eu, não. Eu tive minha primeira humilhação. Note bem: PRIMEIRA. Não única, não última, primeira.
            Eu era a gorda da turma, mas não a burra. Bem pelo contrário, sempre fui bem inteligente, e inteligente o suficiente para saber que o bonitinho da turma não ia gostar de mim, a vida é assim mesmo, então fui baixando meus padrões. E continuei diminuindo conforme notava a não reciprocidade. Nesse momento aparece na minha vida o Ney , diminutivo de Endrisney, coleguinha novo de aula.
            Ney era um garoto alto demais para a idade, tímido, raquítico e cheio de espinhas. Para completar, não era muito inteligente, quase o sonho de consumo de uma menina de 13 anos.  Em razão de uma prova em dupla, com as duplas sorteadas, nosso relacionamento foi iniciado. Fiz a prova inteira sozinha porém feliz da vida de ter um menino ao meu lado
            No dia seguinte fui declarar meu eterno amor à Ney. Tinha encontrado minha metade da laranja, minha alma gêmea, o Ying do meu Yang. O iaiá do meu ioiô. Encontrei com ele no pátio, ao sinal do recreio, numa aparente tentativa de desviar de mim. Não me importei e fui até ele.
            ¨Ney, eu te amo¨, eu disse.
   Como eu sempre causo variadas sensações nas pessoas  ele  peidou alto e em seguida se cagou nas calças.
            Até hoje não entendi por que nunca mais o vi.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Micropenis do ?


Posso ter uma caralhada de defeitos, mentirosa não é um deles. Bem pelo contrário, sou extremamente sincera, o que nem sempre é uma virtude, visto que muitas vezes eu me coloco em situaçoes constrangedoras em decorrencia disso. Comecemos então com uma medida de pura sinceridade: eu não lembro o nome de todos os pênis que já me foderam. Nem de todas as bocetas que comi. Me morda. Nomes não são nem nunca serão meu forte.
            Estava eu com meus 18 aninhos e indo viajar com uns amigos, sozinha, pela primeira vez. Não poderia estar mais empolgada de ir acampar na praia – sim, na ansia de viajar sem supervisao eu optei por ignorar os detalhes que me faziam ODIAR ACAMPAR, pensando que seria ja bom o fato em si de não ter adultos pra incomodar ou regrar. AH-HAM.
            De partida, comecei bem: fui acampar na praia e esqueci de levar biquini. Passei os 2 dias seguintes ouvindo: ¨mas por que tu não trouxe biquini?”. “porque eu gosto de sofrer, animal, não é porque eu esqueci”. Como meu contado dinheiro da época era para me alimentar de cerveja, curti a praia de saia jeans e camiseta.
            De quem consistia a galera: eu, fedelha fedendo à fraldas ainda, querendo fazer tudo que não podia fazer; meu irmão mais velho que não podia beber pois estava dirigindo; a ficante fanha e bulimica dele, que também só levou sapatos de salto agulha e bico fino, pra um acampamento; o amigo metido a pegador que tomava anabolizante e por isso tambem não podia beber e aquele amigo que ninguém nunca lembra. Assim, éramos 5.
            Logo de cara, um problema lógico, só descoberto quando já estávamos no local: éramos 5 e para uma barraca de 3 pessoas. Que ninguém sabia montar. Após resolvermos nosso pequeno revés, precisávamos descobrir o que faríamos depois. Decidimos por ir pra um bar frente ao mar , comer algo e/ou beber. Resolvi me alimentar de cevada, sempre uma excelente idéia para quem já quase não se humilha sem o fator alcool.
            Certa hora da noite resolvi que era meu momento de criar asas e sair por aí, conversar com pessoas que nunca tinham me visto, queimar meu filme onde eu não o havia feito. Com uma grande *dose de  coragem liquida ingerida, saí pelo mundão a procura da próxima cagada. Não literal, por favor, não sou tão deselegante assim.
            Leo (como o irei chamar, já que não lembro do nome verdadeiro) estava sentado em uma canga na areia e , apesar de nunca te-lo visto mais gordo, sentei ao seu lado e puxei conversa, afinal, ele era meu estilo de homem ( ou vítima, como meu irmão adorava chamar). Rostinho bonito, magrinho, cabelos lisos e castanhos, como os olhos (não lisos, porém castanhos). Perguntou se eu não queria ir para uma parte mais vazia da praia e eu fiquei empolgadíssima ao pensar num sexo com um estranho que, em meus pensamentos, eu nunca mais veria, então poderia extravasar. Pedi um momento para ir avisar meus companheiros.
            A cena que me deparo ao chegar no local: o amigo que ninguém lembra estava num canto acuado sendo atacado por um chiuaua manco raivoso, meu irmao trancado no banheiro com diarréia, a sirigaita dele xingando a areia por entrar no seu salto agulha. E o ultimo elemento sumido, não faço idéia de onde o metido foi parar. Resolvi que era perda de tempo iniciar algum tipo de diálogo para explicar o que eu estava indo fazer, então fiquei quieta e parti pra ação. Fui com o Leo para o canto vazio da praia..
            Chegamos lá, tiramos as roupas, e eu estranho: “ué, mas o pau dele não vai ficar duro?” pensei comigo. Continuamos no amasso, e nenhum sinal do mini Leo. Até que eu resolvi meter a mão pra ajudar. Cena seguinte: eu me deparei com algo chamado MICROPENIS. Como eu estava alcoolizada, dei continuidade e trepamos. Logicamente que eu nem senti, o negocinho era menor que um OB mini, isso que estava duro. Terminada a resenha, cada um pro seu lado. Volto eu pros meus amigos débeis e ele pra sei la eu onde.
            Como eu já era um ser muito maduro na época, espalhei aos 4 ventos que tinha trepado com o micropenis. Não satisfeita, eu falava o nome e dava a descriçao do moço. Tudo muito bacana da minha parte, tenho muito orgulho de mim nesses momentos. Teve então a festa a fantasia.
            Fomos a uma festa na casa de praia de um amigo, e foi muita gente mesmo. E quem estava lá? O micropênis. Pegando minha amiga. Como eu sou gente boa pra caralho, fui lá alertar minha amiga. Ela, outro ser angelical, o levou  pro banheiro e baixou as calças dele. E começou a rir.
            Nunca mais o vimos de novo.