Ninguém
nasce sabendo como lidar com as situações constrangedoras decorrentes do sexo. E,
por mais que tenhamos uma família moderna e com boa comunicação, existem
dúvidas que não podemos perguntar para nossos pais, pois vira uma via de mão
dupla de embaraço. Com eles preferimos sempre pensar que viemos da cegonha. E
sexo não é uma tarefa fácil e simples, nem pra pessoas normais, imagina pra
mim, que pra conseguir me masturbar preciso de um espelhinho na frente pra não
errar o buraco de tanta falta de prática no assunto.
Mesmo não
sendo a pessoa mais sexual existente de vez em quando eu pratico o coito, por
medo que o hímen cresça novamente e não querer ter que rompê-lo outra vez, a
primeira já foi extremamente traumática. Fico pensando nessas mulheres que
falam que a primeira vez foi linda, foi incrível... Só se foi com um micro pênis
que encosta a cabeça no hímen e pensa que já chegou ao útero.
Mas o sexo
realmente é um terreno para situações conflitantes e eu digo isso por entrarem
em conflito com o que a sociedade espera das mulheres. Não é bem visto no meio
social mulheres tendo relacionamentos casuais, se masturbando ou falando
palavras de baixo calão. Eu me lembro de
algo muito vergonhoso que vivi logo que passei a ser uma adulta sexualmente
ativa, com o primeiro cara que fui transar sem namorar, porém, antes de contar
a historia preciso ressaltar que eu nunca tinha feito sexo na posição “de
quatro” antes. Namorei por longos três anos e nenhum de nós dois tivemos experiências
anteriores então não conhecíamos a fundo as posições para transar. Findado o
relacionamento resolvi liberar geral e fazer tudo que não tinha feito até
então.
Logo após
terminar tal namoro conheci um cara que tinha a mesma idade que eu, estávamos os
dois com 19 anos e para mim o mundo era uma festa. Estava no meu primeiro ano
de faculdade, primeiro ano morando longe dos meus pais, primeiro ano curtindo a
vida de solteira e com muita vontade de realizar experimentos sexuais os mais
variados que pudesse, com o maior número de pessoas que topassem.
Conheci
Rafinha através de amigos em comum e marcamos um encontro em um barzinho perto
da faculdade, ambos frequentávamos a UFRGS na época. Realmente um menino muito
bonito, porém sem muito conteúdo intelectual e meu primeiro questionamento foi
como que ele teria passado no vestibular. Como não sou um alguém que consiga
guardar tais perguntas para si, depois de sentados na mesa e devidamente
apresentados eu falei:
- Pra qual curso tu passou? Perguntei, tentando ser discreta.
- Pedi transferência interna de uma faculdade privada do
curso de...
(Nesse momento parei de escutar, já pensando: “começou a
fazer sentido...”, pois, quando somos jovens e estudamos em instituições de
ensino superior públicas temos uma severa impressão que todas as demais
faculdades servem para abrigar os mentalmente desafortunados).
Continuei a fazer
um esforço cerebral para permanecer conversando com o rapaz, pois ele era
lindíssimo: alto, cabelos lisos e escuros, olhos azuis e corpão sarado. Mas o
cérebro era disfuncional em quase toda sua totalidade.
- Então Rafa, qual foi o último livro que tu leste?
Perguntei.
- O Pequeno Príncipe, em audiobook.
- Mas audiobook não é ler, Rafa, audiobook é ouvir uma
historia.
E assim o diálogo permaneceu, eu fazendo perguntas que ele
não entendia, ele dando respostas que não me interessavam. Chegamos num ponto
em que realmente estava sem ter o que falar e sem paciência pra ouvir o que ele
dizia então perguntei:
- Tu costuma conversar durante o sexo?
- Nossa gata, que curiosidade estranha!
- Eu sou assim mesmo, excêntrica. Mas me responde?
- Não gata, eu não falo durante o sexo.
- Ok, então vamos transar?
Ele não entendeu o porquê da minha
pergunta, mas concordou com a proposta e nos encaminhamos para um motel. Na
verdade, nos encaminhamos para um ponto de táxi, e foi quando as coisas
realmente começaram a ficar peculiares. Ir pra um ponto de táxi e pedir pra ser
levado em motel é como pegar o fato de ir a uma farmácia comprar KY e elevar à
nona potência do embaraço. O motorista instantaneamente nos olhou com aquela
cara de “vão transar né”, para logo em seguida olhar pra ele com aqueles olhos
de admiração e para mim como se estivesse vendo uma puta. Como eu fico com
muita raiva com atitudes machistas, meu sangue ferveu e eu desatei a falar sem
parar:
- Moço, o que tem de errado mulher ir
para um motel? Pois assim se homens heterossexuais são vangloriados por irem e
mulheres são crucificadas, ELES VÃO ACABAR INDO COM QUEM? Não moço, tá ERRADO
ISSO!!! POR QUE PRA ELE TU OLHOU COM TANTA CONSIDERAÇÃO E PARA MIM ESTÁS
OLHANDO COMO SE FOSSE UMA PUTA COM UMA TETA PRA FORA???
- Desculpe moça, eu não sei se a
senhorita é puta, mas a senhorita está mesmo com um seio à mostra...
E foi então que olhei para baixo e
boa parte da minha mamica estava para fora da blusa tomara-que-caia e eu não tinha sequer
reparado ou sentido e não fazia ideia de quanto tempo fazia que estava assim.
Passados alguns minutos, minha vergonha e choque inicial, eu virei pro Rafa e:
- E TU, NEM PRA ME AVISAR!!!!
E o infeliz começou a balbuciar palavras aparentemente desconexas,
enquanto tentava me pedir desculpas de alguma forma; eu não sabia se colocava a
teta que estava fora pra dentro ou colocava a que estava dentro, pra fora. O
motorista, coitado, completamente envergonhado, só piorou quando, no meio do
caminho e num trecho que era longe de tudo, o carro pifou. Nessa altura eu
queria muita coisa, porem, com certeza, sexo, não estava incluído.
Rafa e eu
descemos do carro, fomos esperar a função do carro terminar sentados numa
sombra e eu, agoniada e faladeira como sou, voltei a tagarelar numa tentativa
de conseguir uma conversa minimamente decente. Não obtive sucesso e parei de
tentar quando ele veio falar sobre a série de musculação que fazia na academia
e os suplementos alimentares que tomava pra diminuir o percentual de gordura do
corpo. Não que eu considere assuntos relacionados à saúde supérfluos, o que aconteceu
foi que meu cérebro auto implodiu quando ele falou:
- Me importo muito com minha aparência, acho lindo uma
barriga sarada, um IMBIGO bonito. AGENTE tem que se esforçar cada vez mais pra
ser bonita, quanto maior nossa autoestima, MENAS chance tem de ter depressão,
me falaram.
- E nossa língua materna acabou de sofrer uma agressão forte
agora né, bonito... , eu disse. E ele não compreendeu.
O taxista
ligou pra esposa e pediu que fosse nos buscar, pois não estava conseguindo consertar
o carro. Na verdade, ele perguntou se preferíamos ir embora com a esposa dele
ou com o seguro e eu pensei que quanto menos gente soubesse da situação,
melhor, pois ir de guincho para o motel já era demais ate pra mim.
A esposa, Anastázia,
chegou e causou sensações variadas por nós, pois ela era inacreditavelmente linda.
Eu já queria era ir com ela para motel, e aposto que o Rafa estava pensando o
mesmo. O motorista do táxi, Stivenson, pediu para Ania (apelido para Anastázia)
nos levar enquanto esperava o carro do seguro. Ao chegar ao motel eu olhei pra
ela e perguntei:
- Tem certeza que não quer ficar? De qualquer forma fica com
meu telefone, vai que uma hora tu mudas de ideia.
Passei meu número pra ela e entrei com o Rafa. Ao entrarmos
no quarto queríamos muito tomar banho e descansar.
Passamos um
bom tempo na banheira e finalmente começamos a transar. Em algum momento fomos
para a cama e ele me colocou de quatro. Começou a penetração e daqui a pouco:
PRRRRRRRRRRR
Minha perereca começou a peidar. Ele entrava com o pau, a
perereca soltava os puns. E eu, não sabendo que aquilo era possível, comecei a
achar que meu intestino estava fazendo ligação direta com a xereca e mandando
os gases por ali. Senti-me péssima, pois, peidar, ok, normal; peidar EM ALGUÉM
era completamente vergonhoso. Resolvi, por incrível que pareça, ficar quieta,
para não piorar a situação e torcer que ele gozasse logo para terminar com a
tortura. Quando eu pensei que a situação não poderia piorar, ele disse:
- Gata, curti esses peidos vaginais. Que tal meter no cuzinho
pra sentir o ventinho traseiro?
