sexta-feira, 25 de outubro de 2019

A noite que passei no xilindró



Já aprontei muito nesta minha vida, acho que toda merda que estava ao meu alcance, era alcançada com magnitude.  Talvez pela minha condição médica de extrema burrice, falta total de maturidade e sonho de querer fazer parte do elenco de “Jackass”, sempre foi natural tentar fazer as maiores estupidezes que eu poderia.
Com essa minha personalidade eu entrei no curso de Farmácia, na UFRGS, tantos anos atrás que não vale a pena comentar a exatidão dos números. E sendo assim que eu topei fazer parte do trote de início do curso. E o trote tinha dois objetivos: juntar dinheiro para a festa de abertura do curso e humilhar os calouros.  Algumas pessoas da galera se organizaram para vender rifas e assim conseguir o dinheiro. Eu já pensei que era algo muito chato e uma experiência merreca de início de curso. Estava em busca de emoção, e vergonha.
Assim sendo o grupo dos mais alternativos – ou dos sem noção – resolveu que íamos conseguir o dinheiro em sinaleira. Como a tática de ficar todo emporcalhado só servia para causar asco às pessoas, de atirarem até objetos para que não se aproximassem delas naquele estado, optamos por outra: apelo ao sexo. Não estou dizendo que alguém iria vender o corpo sexualmente, só para ficar claro, prostituição é crime. A ideia era que alguns de nós iriamos mostrar a bunda, no sinal fechado, e esperar que nos dessem dinheiro por isso. Para tanto, as melhores bundas foram selecionadas, dentro dos critérios, tais como: bundas não peludas, mais arredondadas e não pelancudas, ou seja, só a das gurias e de um dos meninos (que por acaso era a mais bonita entre todas).
O que acontece é que nem os mais caras de pau conseguem fazer um disparate destes, sóbrios. Sem a coragem líquida estávamos cientes de que íamos jogar batalha naval sem os navios. Compramos então duas vodcas com o orçamento que tínhamos: 50 reais. Um adendo: duas vodcas para cada um da equipe, e assim deixo, à imaginação do leitor, pensar sobre a qualidade da bebida.
Organizamos a equipe da seguinte forma: quatro pessoas mostrando a bunda e os outros quatro dando apoio, que funcionava assim: dois recolhiam o dinheiro, um cuidava do dinheiro recolhido e supostamente da segurança de quem estava se expondo e o outro completava a nossa humilhação fazendo vídeos para a internet. Era nosso plano B para conseguir arrecadar alguns trocados.
O plano estava dando muito certo. As pessoas riam se divertiam, e nos davam dinheiro. Até que Diego mostrou a bunda em sua vez e um senhor ficou encarando muito e em poucos segundos ouvimos a senhora ao lado dele gritando, mas muito alto, todos que estavam em volta conseguiam escutar:  
- Eu não aguento mais, Alfredo, passou a vida me traindo com outras pererecas e, quando eu penso que parou, tu começas a querer comer cu??? Ahhh eu vou me separar, mas primeiro vou chamar a polícia.
Achamos que era algum ataque nervoso de uma senhora que já teria sido muito traída ao longo de sua vida, mas que ela não iria levar a cabo a ideia de ligar para polícia. Ou se ligasse, eles ignorariam por entender que se tratava de trote de faculdade, e eles realmente assim procederiam, não fosse um pequeno detalhe: a velha era deputada que fazia com que o orçamento policial fosse ampliado, fato que nos era desconhecido até o desenrolar dos fatos.
Quando foi a minha vez de levantar a saia e mostrar a bunda, fico de costas, faço o show e 5 segundos depois ouço uma sirene tocando atrás de mim. Sim, fui presa, acusada de ato obsceno. Passei a adolescência inteira fumando maconha em todos os lugares possíveis e nada me aconteceu. Mostrei a busanfa em um trote de universidade, fui levada de camburão.
Como eu era ré primária, e de delito leve, me ficharam e resolveram não prosseguir com o processo, e que me soltariam assim que chegasse alguém para me buscar que se responsabilizasse por mim. Senão, passaria a noite encarcerada.
Liguei para casa e quero reproduzir o diálogo. Primeiro, meu avô atende:
- Oi vô, fui presa, preciso que alguém venha me buscar.
- Maconha de novo, Gabriela?
- Não vô.... Nunca fui presa em função de maconha. É que eu mostrei a bunda numa sinaleira, trote de faculdade, e a polícia me enquadrou.
- O quê???????? NÃO ACREDITO!!!!! Tu nunca foste presa mesmo em razão da maconha???
Passou o telefone pra minha mãe, resmungando “perdi o bolão dos meus amigos da bocha, tinha certeza que a guria já tinha sido presa por maconha e que era a neta mais delinquente da turma”. Minha mãe atende dizendo:
- O que tu fez?
Expliquei. De novo. E ela:
- Ok, foi presa por mostrar a bunda, agora faz assim, mostra aí a perereca e sobrevive esta noite, que amanhã eu te busco.


quarta-feira, 2 de outubro de 2019

O dia que eu descobri ser amante virtual


             Eu nunca fui muito boa em relacionamentos, tanto que estou super bem... encalhada. Não estou aqui reclamando, ao contrário, estar encalhada me propicia diversões que jamais teria se estivesse num relacionamento com alguém ciumento.
            Não pensem vocês que isso é vontade de dar muito, não é, mas é sentir as bolas que eu NÃO TENHO se encolherem quando alguém tem crise de ciúmes. E normalmente essas crises vêm acompanhadas de muita discussão de relacionamento, um dramalhão idiota e completamente desnecessário.
            Outros pontos que assim eu evito são as cobranças, e o grude. Incrível como as pessoas estão carentes e grudentas. Ah, e malucas. Parece que se não estiverem o tempo todo juntas, dormindo juntas, tomando banho juntas, cagando juntas, não é o suficiente. Tem aquela necessidade de que a cada cinco frases, duas serem “eu te amo”.
            Não pensem que eu, sendo assim, sou fã de traição, pois acho um ato de deslealdade abominável. Se o casal se propõe a ter um relacionamento monogâmico, que cumpra a risca.  A vez que eu descobri ter sido traída eu não soube lidar nem um pouco bem com a situação. Peguei um balde, enchi de gelo e acordei-o jogando o balde de gelo no saco. E depois até rolou um arrependimento, pois tinha vontade de chutar as bolas, e elas, anestesiadas.
            Outro motivo de ser tão ferrenha contra traição é minha filha ser fruto de uma. É sim, o lixo humano bolsominion genitor da minha filha, quando me conheceu, mentiu sobre o status de relacionamento. Resultado: o universo conspirou contra mim e me deu de presente uma criança maravilhosa, que faz eu pagar todos os meus pecados, diariamente.
            Juntando todos esses fatores, eu virei poliamorista. Sem relacionamentos monogâmicos, sem maiores chateações. E ser poliamorista, pra mim, que não sou a maior fã de sexo, também tem outra vantagem: ao me autoproclamar assim, as pessoas tem medo de se envolver comigo.  Não preciso liberar a buceta e nem aguentar encherão de saco. Encontrei-me.
            Foi com esse pensamento que dei conversa pra um boy, humorista também, carioca (sim, tenho tara por sotaques) que disse que queria testar o relacionamento poli comigo. Ah meio que achei fantástica a ideia, o cara era desprendido, comediante e o melhor de tudo: morava longe. Raramente eu teria que liberar a periquita. Então dei o sinal de “ok, podemos tentar”.
            Então a situação começou a ficar estranha, ele passava uns dias sem sequer me dar um oi. Como eu sou muito fã de pessoas desapegadas, achei que era porque ele não queria me perturbar. E realmente não perturbava. Só que ele tinha se esquecido de me comentar um PEQUENO detalhe: ele já era casado. E em um relacionamento monogâmico.
            Fiquei muito braba mesmo. Achei tanta falta de caráter, querer me enrolar se fazendo de solteiro, e fazendo planos de trair alguém que, com certeza, não merece, que resolvi escrever esse texto para alertar a todos: não traiam. Nem tentem. Podem se esbarrar numa doida como eu, que além de nunca apagar as conversas do whats, adoro fazer print uma telinha....