quarta-feira, 20 de maio de 2020

Dia que fui para o hospital com mais de uma fratura


ARIONAURO CARTUNS - Blog do Cartunista Arionauro: Charge Hospital ...
 (CONTINUAÇÃO)
            Depois da minha última peripécia, de tentar fazer parkour, fui parar na emergência novamente. Na manobra que fui tentar fazer, descrita pelos praticantes como simplíssima, pular o corrimão de uma escada, eu e meu físico de doente degenerativo, ao aterrissar errado, engatamos o pé em um buraco no chão, torci a perna e ferrei a bacia. Em um único movimento.
            Para piorar ainda mais a situação estava sem minha carteirinha do convênio de saúde, pois tinha sido roubada após me machucar, e fui parar em um hospital público universitário, localizado perto de onde ocorreu o acidente. Percebo hoje quão sortuda eu fui: não morri na fila, esperando.
             Deitam-me numa maca num corredor, me dão uns remédios, me grudam um soro na veia que, até encontrar, a enfermeira furou três vezes e chamam os médicos. Sabe qual a primeira coisa que esses fazem comigo, depois de olhar meu quadro? Viram-me de lado e ENFIAM O DEDO NO CARALHO DO MEU CU!!!!
Logicamente eu gritei, e quem dera eu fosse de prazer. Deram-me uma dedada no cu sem avisar dizendo que é pra ver se não tinha sangramento interno na região da bacia. Até nos piores encontros eu ouvi desculpas melhores que essa. E vem, por último na fila de doutores a analisar a espécime de estudo, um médico 2x2, que um único dedo é mais grosso que muito pau que eu já vi fazer exame retal também.
-Ahhh doutor, falei eu, olhando incrédula para aquela mão, chama outra pessoa, que com esses teus dedões aí, nem o mindinho rola de entrar.
E ele deu risada da minha cara, achou que eu estava brincando, devo ter mesmo cara de quem dá o cu e depois ri. Depois que me dedaram, me questionaram sobre o que e que horas eu havia comido. Explicaram-me então que era em razão da anestesia. “Drogas? A coisa tinha começado a melhorar…”
Pois estava tudo mesmo muito tenso, imagine, eu estava com um osso da perna saltando da pele e minha bunda fora do quadril. Nunca a imagem de andar estilo ponto e vírgula, me pareceu tão adequada!
Sedaram-me, anestesiaram e me enfiaram uma sonda que é pra garantir que eu não defecasse em ninguém. Minha fama de cagar, não sei que maneira, já tinha chegado lá. E me mandaram para o centro cirúrgico. Como eu ia ficar desacordada por horas, assim que voltei a mim a primeira coisa que eu fiz foi colocar a mão no cu, pra ver se não tinham me comido a raba. Sabe como é, depois daquela dedada, fiquei desconfiada.
Fiofó incólume, tudo certo. Lembrei-me do socorrista da ambulância, mas não tinha certeza se ele teria me dado o telefone dele. “Talvez nem todo mundo faça essas coisas enquanto trabalha”, pensei eu, e depois encontrei um bilhetinho no bolso das minhas calças. Então chamaram o fisioterapeuta pra conversar comigo, que me disse que eu não poderia mais fazer parkour. Primeira noticia decente do dia. Porque depois de me arrebentar toda, dedos desconhecidos me tiraram a virgindade do cu e estar com uma bolsa de bosta grudada, eu meio que já tinha desistido.






segunda-feira, 18 de maio de 2020

O dia que tentei fazer parkour



 Saiba mais sobre a filosofia do Parkour aplicada ao universo ...

Sempre fui muito moleca, sempre gostei mais das brincadeiras “de meninos” que de meninas, até porque eu fui criada na rua jogando futebol e videogame com os guris. Com menos de três anos eu me joguei de uma janela e caí de cara no chão. Com sete anos coloquei o dedo médio dentro de uma processadora de alimentos pra empurrar uma cenoura, e a lamina processou foi o meu dedo. 
Com nove anos eu tinha uma amiguinha daquelas que gosta de colocar os outros pra fazer coisas que, com certeza, irão gerar machucados e, naquele dia em questão ela me convidou pra descer o morro de bicicleta, pela estrada de chão batido. Eu não tinha bike e ela disse que iria me emprestar. Só esqueceu-se de avisar que os freios eram localizados nos pés e de perguntar se eu sabia usar. E eu não sabia. Metade do morro desci gritando, a outra metade desci comendo terra. 
Com 12 anos joguei uma pedra pra cima só pra ver onde ia cair. Caiu com a ponta pra minha cabeça.  Na vida adulta já contabilizo uma cicatriz por cair em cima de cano de escapamento de moto, um rasgão de vidro no dedo fura-bolo e inúmeros deslocamentos de articulações. Essa é a história de uma das minhas aprontadas.
Estava com 23 anos na época, cursava o curso de Educação Física na universidade estadual e tinha uns amigos que praticavam parkour. Parkour, em francês significa quebra cu, ou, ao menos, deveria significar, pois o esporte consiste em pular muros e escadas sem quaisquer equipamentos de segurança. E sem massa encefálica, aparentemente, mas, como comecei a ficar com um carinha que também praticava, pus meu cérebro em standby e fui curtir um amor “que machuca”.
Marcamos de ir ao parque de rampas e escadas de skate, pra começar as primeiras aulas, mas, na verdade, se eu tivesse aprendido a primeira lição, todo problema teria sido evitado. Ensinamento número um: pessoas medrosas não devem, sob hipótese alguma, praticar parkour. Por algum motivo pensei que não me enquadrava nessa categoria.
De inicio, o obstáculo era uma mureta de 1metro e a atividade era pular apoiando num braço de um lado e jogando as pernas por cima. De cara já consegui errar o cálculo da perna, prender um pé, cair e me arranhar inteira. Juntei forças, tentei pela segunda vez e consegui. Passei o resto do dia pulando e achando que ia pras olimpíadas de parkour na semana seguinte.
Já à noite, em casa, me surgiram pensamentos do tipo: eu não preciso de homem pra praticar meu novo esporte, posso fazer isso sozinha. E me mandei dia seguinte para o mesmo lugar.
Passei horas e horas pulando a mureta e já tinha me entediado, precisava de novos desafios e fui procurar outros locais que ofereciam maiores dificuldades para saltar. Encontrei logo uma escada com um corrimão e planejei meu próximo treino para ali. Na verdade, dizer que planejei é muito exagerar, pois, quando se planeja se faz, minimamente, reconhecimento de terreno, e nem isso eu fiz. Só vi de longe e achei que servia aos meus propósitos.
Larguei minhas coisas numa árvore bem próxima ao local, perto de dois maconheiros, fingi fazer um alongamento, saí correndo, segurei firmemente ao corrimão, ambos os pés passaram com destreza e ao aterrissar não vi o buraco que ali estava até acertar uma das patas nele, virar, e cair com a articulação do joelho saindo da pele e minha bacia se deslocando. O minuto mais intenso de toda minha vida.
Aterrissei berrando mais que idosa no celular, e gritei pros maconheiros chamarem a ambulância, ao que eles pegaram prontamente seus telefones. Logo na sequência esqueceram pra onde tinham que ligar e relembraram ao ouvirem meus berros:
- PRA AMBULÂNCIA, NÉ!!
Em seguida os dois saem correndo com minhas coisas, sem nenhum peso na consciência e eu fico lá deitada, urrando de dor. Chegou a ambulância e minha última memória é pedir morfina e o telefone do socorrista...

CONTINUA NO CONTO “O DIA QUE EU FUI PARA O HOSPITAL COM FRATURA EXPOSTA”








sábado, 16 de maio de 2020

O dia em que eu não fui trocado

Confira 8 posições sexuais para inovar no 'doggy style' - Amor e Sexo

               Transar com pessoal com alto grau de excentricidade é algo que, acredito eu, todo mundo, em algum momento da sua vida, o fez. Muitas pessoas não admitem, têm vergonha de falar sobre e, quando contam, falam que a história é de “um amigo”. Pois bem, essa é a história em que um amigo teve uma noite sexual para lá de exótica.

               “Estive muito tempo afim da Carol, e até hoje não entendo muito o porquê, mas acredito que tenha sido pelo fator dela nunca me dar bola”. Teve então uma noite de espetáculos em que eu me apresentaria juntamente a outros artistas. No caminho para o local dos shows, passei por ela na rua e a convidei para ir me assistir e estranhei que, prontamente, ela aceitou. A primeira coisa que eu imaginei foi que ela estava tirando onda com minha cara e que não iria aparecer e, assim sendo, chegando lá passei a beber com os outros artistas, pois tinha sido um dia bem cansativo e, se eu não bebesse, ia acabar dormindo.

Findadas as apresentações, a vi e percebi que, além de ter vindo, ela estava muito “arrumada”,  vestida de uma forma que parecia que tinha saído pra um baile funk : calça jeans dois números menores que dividiam a xerereca, visivelmente, fazendo até sombra do “capô de fusca” pra coxa,  uma sandália estilo drag queen, uma blusa de oncinha decotada com os peitos bem empinados e uma maquiagem tão forte que eu só reconheci que era ela pois passei um bom tempo antes desse dia tarando aquela bunda. Aí pensei: “é isso aí, hoje eu vou pra casa, jantado”.

Aproximei-me e comecei a conversa, tendo a maior certeza que ela estava caidinha por mim. O diálogo começou e na segunda frase dela, solta:

- Que legal que foi o show, você manda bem. Agora queria te pedir uma coisinha, hehehe... Desenrola teu amigo EG pra mim?

Nossa, eu fiquei PUTO DA VIDA. Internamente. Externamente eu disse que ia, mas só dei uma enrolada e depois avisei que ele tinha que ir embora. Mas eu não. E ela:

- Bora lá pro meu apartamento tomar um vinho.

- Ok.

Chegamos lá, abrimos um vinho e fomos fumar na sacada. Na metade do cigarro, no meio da minha tragada de cigarro com gole de vinho, em um silêncio sepulcral ela me olha e pergunta?

- VAMO METÊ?

Juro que tudo que estava descendo goela abaixo resolveu voltar naquele instante, tamanho o susto que levei, e saí me salivando, babando e cuspindo a bebida na cara dela. Passado o choque, eu, obviamente, disse que sim, afinal, tinha ido lá para isso.

- LÓGICO, disse eu, pra ela nem achar que eu estava pensando duas vezes.

E então, ela trouxe um pouco mais de romantismo para nós: depois de baixar as calças numa destreza incrível, numa rapidez e agilidade que eu não julgava ser possível ter usando calças apertadas como aquelas, ela se inclinou pra frente e, virando o antebraço atrás das costas e apontando com o dedão para a própria bunda, disse:

- Então mete aí.

E pelos 5 segundos mais longos da minha vida, eu fiquei completamente sem reação. O cansaço de um dia difícil, a misturada de bebidas e os absurdo daquelas palavras ditas sem quaisquer preliminares ou clima, fizeram efeito juntos naquele instante.

- Ca-calma, eu disse.

- Ué, achei que você queria me comer. Faz meses que eu passo e tu me olha como se tu fosse um cachorrinho esfomeado e eu um banquete, não estou entendendo muito.

- É que assim, po, no seco, é difícil.

- Tem ky no armário do banheiro.

- Não pô, não to falando que quero comer teu cu, mas também não estou recusando, tá? Só quero entrar no clima de sexo, beijo, mão na coisa, coisa na mão, quem sabe um boquetinho....

- Então, na verdade eu nunca fiz boquete em ninguém. Faz mal pros dentes.

- Faz mal é pro pau, se tu morder. Tá, o que tu pode fazer então?

E começamos a nos beijar e enfiar o dedo um no cu do outro, começamos a transar com ela em cima de mim e eu... dormi. O cansaço, o vinho, toda a situação prévia, tomaram conta de mim, e eu peguei no sono, aquele sono pesado com aquele sonho que está caindo de algum lugar muito alto, e acordei berrando. E jogando a moça sentada no chão, com uma cara incrédula.

- Olha Carol, eu vou meter sim. Vou meter o pé na estrada, pois essa situação não deu boa pra mim.

Ela continua muda, sentada, com olhos raivosos. Levantei, peguei um papel e uma caneta e depois disse:

- Fica brava não, deixei o celular do EG aqui pra ti, beijo me liga.

 

 


segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

O dia que dei peidos vaginais




            Ninguém nasce sabendo como lidar com as situações constrangedoras decorrentes do sexo. E, por mais que tenhamos uma família moderna e com boa comunicação, existem dúvidas que não podemos perguntar para nossos pais, pois vira uma via de mão dupla de embaraço. Com eles preferimos sempre pensar que viemos da cegonha. E sexo não é uma tarefa fácil e simples, nem pra pessoas normais, imagina pra mim, que pra conseguir me masturbar preciso de um espelhinho na frente pra não errar o buraco de tanta falta de prática no assunto.
            Mesmo não sendo a pessoa mais sexual existente de vez em quando eu pratico o coito, por medo que o hímen cresça novamente e não querer ter que rompê-lo outra vez, a primeira já foi extremamente traumática. Fico pensando nessas mulheres que falam que a primeira vez foi linda, foi incrível... Só se foi com um micro pênis que encosta a cabeça no hímen e pensa que já chegou ao útero.
            Mas o sexo realmente é um terreno para situações conflitantes e eu digo isso por entrarem em conflito com o que a sociedade espera das mulheres. Não é bem visto no meio social mulheres tendo relacionamentos casuais, se masturbando ou falando palavras de baixo calão.  Eu me lembro de algo muito vergonhoso que vivi logo que passei a ser uma adulta sexualmente ativa, com o primeiro cara que fui transar sem namorar, porém, antes de contar a historia preciso ressaltar que eu nunca tinha feito sexo na posição “de quatro” antes. Namorei por longos três anos e nenhum de nós dois tivemos experiências anteriores então não conhecíamos a fundo as posições para transar. Findado o relacionamento resolvi liberar geral e fazer tudo que não tinha feito até então.
            Logo após terminar tal namoro conheci um cara que tinha a mesma idade que eu, estávamos os dois com 19 anos e para mim o mundo era uma festa. Estava no meu primeiro ano de faculdade, primeiro ano morando longe dos meus pais, primeiro ano curtindo a vida de solteira e com muita vontade de realizar experimentos sexuais os mais variados que pudesse, com o maior número de pessoas que topassem.
            Conheci Rafinha através de amigos em comum e marcamos um encontro em um barzinho perto da faculdade, ambos frequentávamos a UFRGS na época. Realmente um menino muito bonito, porém sem muito conteúdo intelectual e meu primeiro questionamento foi como que ele teria passado no vestibular. Como não sou um alguém que consiga guardar tais perguntas para si, depois de sentados na mesa e devidamente apresentados eu falei:
- Pra qual curso tu passou? Perguntei, tentando ser discreta.
- Pedi transferência interna de uma faculdade privada do curso de...
(Nesse momento parei de escutar, já pensando: “começou a fazer sentido...”, pois, quando somos jovens e estudamos em instituições de ensino superior públicas temos uma severa impressão que todas as demais faculdades servem para abrigar os mentalmente desafortunados).
            Continuei a fazer um esforço cerebral para permanecer conversando com o rapaz, pois ele era lindíssimo: alto, cabelos lisos e escuros, olhos azuis e corpão sarado. Mas o cérebro era disfuncional em quase toda sua totalidade.  
- Então Rafa, qual foi o último livro que tu leste? Perguntei.
- O Pequeno Príncipe, em audiobook.
- Mas audiobook não é ler, Rafa, audiobook é ouvir uma historia.
E assim o diálogo permaneceu, eu fazendo perguntas que ele não entendia, ele dando respostas que não me interessavam. Chegamos num ponto em que realmente estava sem ter o que falar e sem paciência pra ouvir o que ele dizia então perguntei:
- Tu costuma conversar durante o sexo?
- Nossa gata, que curiosidade estranha!
- Eu sou assim mesmo, excêntrica. Mas me responde?
- Não gata, eu não falo durante o sexo.
- Ok, então vamos transar?
Ele não entendeu o porquê da minha pergunta, mas concordou com a proposta e nos encaminhamos para um motel. Na verdade, nos encaminhamos para um ponto de táxi, e foi quando as coisas realmente começaram a ficar peculiares. Ir pra um ponto de táxi e pedir pra ser levado em motel é como pegar o fato de ir a uma farmácia comprar KY e elevar à nona potência do embaraço. O motorista instantaneamente nos olhou com aquela cara de “vão transar né”, para logo em seguida olhar pra ele com aqueles olhos de admiração e para mim como se estivesse vendo uma puta. Como eu fico com muita raiva com atitudes machistas, meu sangue ferveu e eu desatei a falar sem parar:
- Moço, o que tem de errado mulher ir para um motel? Pois assim se homens heterossexuais são vangloriados por irem e mulheres são crucificadas, ELES VÃO ACABAR INDO COM QUEM? Não moço, tá ERRADO ISSO!!! POR QUE PRA ELE TU OLHOU COM TANTA CONSIDERAÇÃO E PARA MIM ESTÁS OLHANDO COMO SE FOSSE UMA PUTA COM UMA TETA PRA FORA???
- Desculpe moça, eu não sei se a senhorita é puta, mas a senhorita está mesmo com um seio à mostra...
E foi então que olhei para baixo e boa parte da minha mamica estava para fora da  blusa tomara-que-caia e eu não tinha sequer reparado ou sentido e não fazia ideia de quanto tempo fazia que estava assim. Passados alguns minutos, minha vergonha e choque inicial, eu virei pro Rafa e:
- E TU, NEM PRA ME AVISAR!!!!
E o infeliz começou a balbuciar palavras aparentemente desconexas, enquanto tentava me pedir desculpas de alguma forma; eu não sabia se colocava a teta que estava fora pra dentro ou colocava a que estava dentro, pra fora. O motorista, coitado, completamente envergonhado, só piorou quando, no meio do caminho e num trecho que era longe de tudo, o carro pifou. Nessa altura eu queria muita coisa, porem, com certeza, sexo, não estava incluído.
            Rafa e eu descemos do carro, fomos esperar a função do carro terminar sentados numa sombra e eu, agoniada e faladeira como sou, voltei a tagarelar numa tentativa de conseguir uma conversa minimamente decente. Não obtive sucesso e parei de tentar quando ele veio falar sobre a série de musculação que fazia na academia e os suplementos alimentares que tomava pra diminuir o percentual de gordura do corpo. Não que eu considere assuntos relacionados à saúde supérfluos, o que aconteceu foi que meu cérebro auto implodiu quando ele falou:
- Me importo muito com minha aparência, acho lindo uma barriga sarada, um IMBIGO bonito. AGENTE tem que se esforçar cada vez mais pra ser bonita, quanto maior nossa autoestima, MENAS chance tem de ter depressão, me falaram.
- E nossa língua materna acabou de sofrer uma agressão forte agora né, bonito... , eu disse. E ele não compreendeu.
            O taxista ligou pra esposa e pediu que fosse nos buscar, pois não estava conseguindo consertar o carro. Na verdade, ele perguntou se preferíamos ir embora com a esposa dele ou com o seguro e eu pensei que quanto menos gente soubesse da situação, melhor, pois ir de guincho para o motel já era demais ate pra mim.
            A esposa, Anastázia, chegou e causou sensações variadas por nós, pois ela era inacreditavelmente linda. Eu já queria era ir com ela para motel, e aposto que o Rafa estava pensando o mesmo. O motorista do táxi, Stivenson, pediu para Ania (apelido para Anastázia) nos levar enquanto esperava o carro do seguro. Ao chegar ao motel eu olhei pra ela e perguntei:
- Tem certeza que não quer ficar? De qualquer forma fica com meu telefone, vai que uma hora tu mudas de ideia.
Passei meu número pra ela e entrei com o Rafa. Ao entrarmos no quarto queríamos muito tomar banho e descansar.
            Passamos um bom tempo na banheira e finalmente começamos a transar. Em algum momento fomos para a cama e ele me colocou de quatro. Começou a penetração e daqui a pouco:
PRRRRRRRRRRR
Minha perereca começou a peidar. Ele entrava com o pau, a perereca soltava os puns. E eu, não sabendo que aquilo era possível, comecei a achar que meu intestino estava fazendo ligação direta com a xereca e mandando os gases por ali. Senti-me péssima, pois, peidar, ok, normal; peidar EM ALGUÉM era completamente vergonhoso. Resolvi, por incrível que pareça, ficar quieta, para não piorar a situação e torcer que ele gozasse logo para terminar com a tortura. Quando eu pensei que a situação não poderia piorar, ele disse:
- Gata, curti esses peidos vaginais. Que tal meter no cuzinho pra sentir o ventinho traseiro?


sexta-feira, 25 de outubro de 2019

A noite que passei no xilindró



Já aprontei muito nesta minha vida, acho que toda merda que estava ao meu alcance, era alcançada com magnitude.  Talvez pela minha condição médica de extrema burrice, falta total de maturidade e sonho de querer fazer parte do elenco de “Jackass”, sempre foi natural tentar fazer as maiores estupidezes que eu poderia.
Com essa minha personalidade eu entrei no curso de Farmácia, na UFRGS, tantos anos atrás que não vale a pena comentar a exatidão dos números. E sendo assim que eu topei fazer parte do trote de início do curso. E o trote tinha dois objetivos: juntar dinheiro para a festa de abertura do curso e humilhar os calouros.  Algumas pessoas da galera se organizaram para vender rifas e assim conseguir o dinheiro. Eu já pensei que era algo muito chato e uma experiência merreca de início de curso. Estava em busca de emoção, e vergonha.
Assim sendo o grupo dos mais alternativos – ou dos sem noção – resolveu que íamos conseguir o dinheiro em sinaleira. Como a tática de ficar todo emporcalhado só servia para causar asco às pessoas, de atirarem até objetos para que não se aproximassem delas naquele estado, optamos por outra: apelo ao sexo. Não estou dizendo que alguém iria vender o corpo sexualmente, só para ficar claro, prostituição é crime. A ideia era que alguns de nós iriamos mostrar a bunda, no sinal fechado, e esperar que nos dessem dinheiro por isso. Para tanto, as melhores bundas foram selecionadas, dentro dos critérios, tais como: bundas não peludas, mais arredondadas e não pelancudas, ou seja, só a das gurias e de um dos meninos (que por acaso era a mais bonita entre todas).
O que acontece é que nem os mais caras de pau conseguem fazer um disparate destes, sóbrios. Sem a coragem líquida estávamos cientes de que íamos jogar batalha naval sem os navios. Compramos então duas vodcas com o orçamento que tínhamos: 50 reais. Um adendo: duas vodcas para cada um da equipe, e assim deixo, à imaginação do leitor, pensar sobre a qualidade da bebida.
Organizamos a equipe da seguinte forma: quatro pessoas mostrando a bunda e os outros quatro dando apoio, que funcionava assim: dois recolhiam o dinheiro, um cuidava do dinheiro recolhido e supostamente da segurança de quem estava se expondo e o outro completava a nossa humilhação fazendo vídeos para a internet. Era nosso plano B para conseguir arrecadar alguns trocados.
O plano estava dando muito certo. As pessoas riam se divertiam, e nos davam dinheiro. Até que Diego mostrou a bunda em sua vez e um senhor ficou encarando muito e em poucos segundos ouvimos a senhora ao lado dele gritando, mas muito alto, todos que estavam em volta conseguiam escutar:  
- Eu não aguento mais, Alfredo, passou a vida me traindo com outras pererecas e, quando eu penso que parou, tu começas a querer comer cu??? Ahhh eu vou me separar, mas primeiro vou chamar a polícia.
Achamos que era algum ataque nervoso de uma senhora que já teria sido muito traída ao longo de sua vida, mas que ela não iria levar a cabo a ideia de ligar para polícia. Ou se ligasse, eles ignorariam por entender que se tratava de trote de faculdade, e eles realmente assim procederiam, não fosse um pequeno detalhe: a velha era deputada que fazia com que o orçamento policial fosse ampliado, fato que nos era desconhecido até o desenrolar dos fatos.
Quando foi a minha vez de levantar a saia e mostrar a bunda, fico de costas, faço o show e 5 segundos depois ouço uma sirene tocando atrás de mim. Sim, fui presa, acusada de ato obsceno. Passei a adolescência inteira fumando maconha em todos os lugares possíveis e nada me aconteceu. Mostrei a busanfa em um trote de universidade, fui levada de camburão.
Como eu era ré primária, e de delito leve, me ficharam e resolveram não prosseguir com o processo, e que me soltariam assim que chegasse alguém para me buscar que se responsabilizasse por mim. Senão, passaria a noite encarcerada.
Liguei para casa e quero reproduzir o diálogo. Primeiro, meu avô atende:
- Oi vô, fui presa, preciso que alguém venha me buscar.
- Maconha de novo, Gabriela?
- Não vô.... Nunca fui presa em função de maconha. É que eu mostrei a bunda numa sinaleira, trote de faculdade, e a polícia me enquadrou.
- O quê???????? NÃO ACREDITO!!!!! Tu nunca foste presa mesmo em razão da maconha???
Passou o telefone pra minha mãe, resmungando “perdi o bolão dos meus amigos da bocha, tinha certeza que a guria já tinha sido presa por maconha e que era a neta mais delinquente da turma”. Minha mãe atende dizendo:
- O que tu fez?
Expliquei. De novo. E ela:
- Ok, foi presa por mostrar a bunda, agora faz assim, mostra aí a perereca e sobrevive esta noite, que amanhã eu te busco.


quarta-feira, 2 de outubro de 2019

O dia que eu descobri ser amante virtual


             Eu nunca fui muito boa em relacionamentos, tanto que estou super bem... encalhada. Não estou aqui reclamando, ao contrário, estar encalhada me propicia diversões que jamais teria se estivesse num relacionamento com alguém ciumento.
            Não pensem vocês que isso é vontade de dar muito, não é, mas é sentir as bolas que eu NÃO TENHO se encolherem quando alguém tem crise de ciúmes. E normalmente essas crises vêm acompanhadas de muita discussão de relacionamento, um dramalhão idiota e completamente desnecessário.
            Outros pontos que assim eu evito são as cobranças, e o grude. Incrível como as pessoas estão carentes e grudentas. Ah, e malucas. Parece que se não estiverem o tempo todo juntas, dormindo juntas, tomando banho juntas, cagando juntas, não é o suficiente. Tem aquela necessidade de que a cada cinco frases, duas serem “eu te amo”.
            Não pensem que eu, sendo assim, sou fã de traição, pois acho um ato de deslealdade abominável. Se o casal se propõe a ter um relacionamento monogâmico, que cumpra a risca.  A vez que eu descobri ter sido traída eu não soube lidar nem um pouco bem com a situação. Peguei um balde, enchi de gelo e acordei-o jogando o balde de gelo no saco. E depois até rolou um arrependimento, pois tinha vontade de chutar as bolas, e elas, anestesiadas.
            Outro motivo de ser tão ferrenha contra traição é minha filha ser fruto de uma. É sim, o lixo humano bolsominion genitor da minha filha, quando me conheceu, mentiu sobre o status de relacionamento. Resultado: o universo conspirou contra mim e me deu de presente uma criança maravilhosa, que faz eu pagar todos os meus pecados, diariamente.
            Juntando todos esses fatores, eu virei poliamorista. Sem relacionamentos monogâmicos, sem maiores chateações. E ser poliamorista, pra mim, que não sou a maior fã de sexo, também tem outra vantagem: ao me autoproclamar assim, as pessoas tem medo de se envolver comigo.  Não preciso liberar a buceta e nem aguentar encherão de saco. Encontrei-me.
            Foi com esse pensamento que dei conversa pra um boy, humorista também, carioca (sim, tenho tara por sotaques) que disse que queria testar o relacionamento poli comigo. Ah meio que achei fantástica a ideia, o cara era desprendido, comediante e o melhor de tudo: morava longe. Raramente eu teria que liberar a periquita. Então dei o sinal de “ok, podemos tentar”.
            Então a situação começou a ficar estranha, ele passava uns dias sem sequer me dar um oi. Como eu sou muito fã de pessoas desapegadas, achei que era porque ele não queria me perturbar. E realmente não perturbava. Só que ele tinha se esquecido de me comentar um PEQUENO detalhe: ele já era casado. E em um relacionamento monogâmico.
            Fiquei muito braba mesmo. Achei tanta falta de caráter, querer me enrolar se fazendo de solteiro, e fazendo planos de trair alguém que, com certeza, não merece, que resolvi escrever esse texto para alertar a todos: não traiam. Nem tentem. Podem se esbarrar numa doida como eu, que além de nunca apagar as conversas do whats, adoro fazer print uma telinha....