
Desarranjo Mental
quarta-feira, 20 de maio de 2020
Dia que fui para o hospital com mais de uma fratura

segunda-feira, 18 de maio de 2020
O dia que tentei fazer parkour

sábado, 16 de maio de 2020
O dia em que eu não fui trocado

Transar
com pessoal com alto grau de excentricidade é algo que, acredito eu, todo
mundo, em algum momento da sua vida, o fez. Muitas pessoas não admitem, têm
vergonha de falar sobre e, quando contam, falam que a história é de “um amigo”.
Pois bem, essa é a história em que um amigo teve uma noite sexual para lá de exótica.
“Estive
muito tempo afim da Carol, e até hoje não entendo muito o porquê, mas acredito
que tenha sido pelo fator dela nunca me dar bola”. Teve então uma noite de
espetáculos em que eu me apresentaria juntamente a outros artistas. No caminho para
o local dos shows, passei por ela na rua e a convidei para ir me assistir e
estranhei que, prontamente, ela aceitou. A primeira coisa que eu imaginei foi
que ela estava tirando onda com minha cara e que não iria aparecer e, assim
sendo, chegando lá passei a beber com os outros artistas, pois tinha sido um
dia bem cansativo e, se eu não bebesse, ia acabar dormindo.
Findadas as
apresentações, a vi e percebi que, além de ter vindo, ela estava muito
“arrumada”, vestida de uma forma que
parecia que tinha saído pra um baile funk : calça jeans dois números menores
que dividiam a xerereca, visivelmente, fazendo até sombra do “capô de fusca”
pra coxa, uma sandália estilo drag
queen, uma blusa de oncinha decotada com os peitos bem empinados e uma
maquiagem tão forte que eu só reconheci que era ela pois passei um bom tempo
antes desse dia tarando aquela bunda. Aí pensei: “é isso aí, hoje eu vou pra
casa, jantado”.
Aproximei-me e
comecei a conversa, tendo a maior certeza que ela estava caidinha por mim. O
diálogo começou e na segunda frase dela, solta:
- Que legal
que foi o show, você manda bem. Agora queria te pedir uma coisinha, hehehe... Desenrola
teu amigo EG pra mim?
Nossa, eu
fiquei PUTO DA VIDA. Internamente. Externamente eu disse que ia, mas só dei uma
enrolada e depois avisei que ele tinha que ir embora. Mas eu não. E ela:
- Bora lá pro
meu apartamento tomar um vinho.
- Ok.
Chegamos lá,
abrimos um vinho e fomos fumar na sacada. Na metade do cigarro, no meio da
minha tragada de cigarro com gole de vinho, em um silêncio sepulcral ela me
olha e pergunta?
- VAMO METÊ?
Juro que tudo
que estava descendo goela abaixo resolveu voltar naquele instante, tamanho o
susto que levei, e saí me salivando, babando e cuspindo a bebida na cara dela. Passado
o choque, eu, obviamente, disse que sim, afinal, tinha ido lá para isso.
- LÓGICO,
disse eu, pra ela nem achar que eu estava pensando duas vezes.
E então, ela
trouxe um pouco mais de romantismo para nós: depois de baixar as calças numa
destreza incrível, numa rapidez e agilidade que eu não julgava ser possível ter
usando calças apertadas como aquelas, ela se inclinou pra frente e, virando o
antebraço atrás das costas e apontando com o dedão para a própria bunda, disse:
- Então mete
aí.
E pelos 5
segundos mais longos da minha vida, eu fiquei completamente sem reação. O
cansaço de um dia difícil, a misturada de bebidas e os absurdo daquelas
palavras ditas sem quaisquer preliminares ou clima, fizeram efeito juntos
naquele instante.
- Ca-calma, eu
disse.
- Ué, achei
que você queria me comer. Faz meses que eu passo e tu me olha como se tu fosse
um cachorrinho esfomeado e eu um banquete, não estou entendendo muito.
- É que assim,
po, no seco, é difícil.
- Tem ky no
armário do banheiro.
- Não pô, não
to falando que quero comer teu cu, mas também não estou recusando, tá? Só quero
entrar no clima de sexo, beijo, mão na coisa, coisa na mão, quem sabe um
boquetinho....
- Então, na
verdade eu nunca fiz boquete em ninguém. Faz mal pros dentes.
- Faz mal é
pro pau, se tu morder. Tá, o que tu pode fazer então?
E começamos a
nos beijar e enfiar o dedo um no cu do outro, começamos a transar com ela em
cima de mim e eu... dormi. O cansaço, o vinho, toda a situação prévia, tomaram
conta de mim, e eu peguei no sono, aquele sono pesado com aquele sonho que está
caindo de algum lugar muito alto, e acordei berrando. E jogando a moça sentada
no chão, com uma cara incrédula.
- Olha Carol,
eu vou meter sim. Vou meter o pé na estrada, pois essa situação não deu boa pra
mim.
Ela continua
muda, sentada, com olhos raivosos. Levantei, peguei um papel e uma caneta e
depois disse:
- Fica brava
não, deixei o celular do EG aqui pra ti, beijo me liga.



