quarta-feira, 2 de outubro de 2019

O dia que eu descobri ser amante virtual


             Eu nunca fui muito boa em relacionamentos, tanto que estou super bem... encalhada. Não estou aqui reclamando, ao contrário, estar encalhada me propicia diversões que jamais teria se estivesse num relacionamento com alguém ciumento.
            Não pensem vocês que isso é vontade de dar muito, não é, mas é sentir as bolas que eu NÃO TENHO se encolherem quando alguém tem crise de ciúmes. E normalmente essas crises vêm acompanhadas de muita discussão de relacionamento, um dramalhão idiota e completamente desnecessário.
            Outros pontos que assim eu evito são as cobranças, e o grude. Incrível como as pessoas estão carentes e grudentas. Ah, e malucas. Parece que se não estiverem o tempo todo juntas, dormindo juntas, tomando banho juntas, cagando juntas, não é o suficiente. Tem aquela necessidade de que a cada cinco frases, duas serem “eu te amo”.
            Não pensem que eu, sendo assim, sou fã de traição, pois acho um ato de deslealdade abominável. Se o casal se propõe a ter um relacionamento monogâmico, que cumpra a risca.  A vez que eu descobri ter sido traída eu não soube lidar nem um pouco bem com a situação. Peguei um balde, enchi de gelo e acordei-o jogando o balde de gelo no saco. E depois até rolou um arrependimento, pois tinha vontade de chutar as bolas, e elas, anestesiadas.
            Outro motivo de ser tão ferrenha contra traição é minha filha ser fruto de uma. É sim, o lixo humano bolsominion genitor da minha filha, quando me conheceu, mentiu sobre o status de relacionamento. Resultado: o universo conspirou contra mim e me deu de presente uma criança maravilhosa, que faz eu pagar todos os meus pecados, diariamente.
            Juntando todos esses fatores, eu virei poliamorista. Sem relacionamentos monogâmicos, sem maiores chateações. E ser poliamorista, pra mim, que não sou a maior fã de sexo, também tem outra vantagem: ao me autoproclamar assim, as pessoas tem medo de se envolver comigo.  Não preciso liberar a buceta e nem aguentar encherão de saco. Encontrei-me.
            Foi com esse pensamento que dei conversa pra um boy, humorista também, carioca (sim, tenho tara por sotaques) que disse que queria testar o relacionamento poli comigo. Ah meio que achei fantástica a ideia, o cara era desprendido, comediante e o melhor de tudo: morava longe. Raramente eu teria que liberar a periquita. Então dei o sinal de “ok, podemos tentar”.
            Então a situação começou a ficar estranha, ele passava uns dias sem sequer me dar um oi. Como eu sou muito fã de pessoas desapegadas, achei que era porque ele não queria me perturbar. E realmente não perturbava. Só que ele tinha se esquecido de me comentar um PEQUENO detalhe: ele já era casado. E em um relacionamento monogâmico.
            Fiquei muito braba mesmo. Achei tanta falta de caráter, querer me enrolar se fazendo de solteiro, e fazendo planos de trair alguém que, com certeza, não merece, que resolvi escrever esse texto para alertar a todos: não traiam. Nem tentem. Podem se esbarrar numa doida como eu, que além de nunca apagar as conversas do whats, adoro fazer print uma telinha....

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