Poucas vezes minha família
se reuniu para viajar juntos. Os motivos englobam: muitas brigas por besteiras
e discussões infinitas sobre quem paga o que. Eu tenho uma razão pessoal de não
querer viajar com eles: como se já não bastasse minha facilidade de me auto
humilhar, eles tem uma grande inclinação para me ajudar a piorar qualquer
situação. Na nossa ultima tentativa, enquanto eu tropeçava em cima do garçom
com toda comida, meu vô apertava a bunda da garçonete e meu irmão e primos
faziam concurso de arroto e peido na mesa em um restaurante lotado.
Desta vez eu tinha decidido que,
apesar de ir com eles, eu manteria minha distância, faria
minhas cagadas sem intromissão familiar. Fomos então para a praia. Não que
algum dia tenhamos feito diferente, é sempre muita criatividade rolando solta
pra escolher o local.
Eu tinha baixado um aplicativo de
encontros chamado Happn, que funciona mostrando as pessoas que cruzaram o teu
caminho, e tens a opção de mandar mensagem para tais
indivíduos. Assim, meu caminho e do J. se cruzaram. Gostei da foto, estava
vivendo minha fase “loiro (a) de olhos claros”, e ele assim era (é, acredito
que ainda esteja vivo). Começamos a
conversar, verificamos alguns pontos em comum que nos fizeram ter vontade de
continuar a conversa, pessoalmente. Marcamos num restaurante próximo a onde eu
estava hospedada.
Chegando lá
eu reparei que tinha um palco de karaokê. O que eu não vi logo de chegada que
era o meu crush em cima do palco, começando a cantar a musica mais dor de cotovelo da historia:
Evidencias ( pra quem não lembra, a letra é algo assim: “ e nessa loucura, de
dizer que não te quero, vou negando as aparências, disfarçando as
evidências..”), apontando com o dedo indicador na minha direção, cantando com
uma voz de tenor de manicômio e fazendo todo o ambiente olhar pra minha cara e
rir , e acho que era de pena. Meu primeiro instinto foi fugir e o deveria ter
ouvido, mas aqueles olhos azuis dele me cativaram a sentar numa mesa e
aguardá-lo.
Terminado o vexame inicial, ele se
encaminhou à mesa. Logo que ele começa a falar eu
começo a sentir um cheiro podre, de algum bicho em estágio avançado de
putrefação e penso que alguém da mesa próxima estava peidando mais fedorento
que eu quando como feijão com repolho e ovo. Não era a mesa ao lado, era ele. E
não era peidando, era falando, era a putaquepariu do bafo nojento dele que
mataria alguém se ele resolvesse gritar na cara da pessoa. Sem exageros. E ele
não parava de falar, fazendo que todo o ambiente ao redor ficasse impregnado.
Meu único e errôneo pensamento no momento era que não tinha como piorar. Mas
tinha. Minha família inteira resolveu ir jantar lá naquela mesmíssima noite.
Os Buscapé
(como eu denominava meus parentes) começaram a beber, e até então tudo bem, eu
não tinha morrido com o odor produzido pela boca de J., que era fortemente
sentido mesmo a distância segura de uma mesa, e eles não tinham me visto ali.
Ainda. Assim que meu irmão pisou no palco mais bêbado que turista em micareta,
me avistou e gritou:
-Mari,
vem pro palco cantar comigo, ele grita.
“Fudeu, fudeu
de vez agora” eu penso, e logo vou juntar-me ao bonito, pois era melhor que
ficar sentindo o hálito de hiena do moço ali. Eis então que e vem uma ideia de gênio: vou cantar com voz
de Anderson Silva gripado assim o querido fica com vergonha e vaza de lá, e eu
posso juntar-me aos Buscapé pelo resto de noite. E assim subi ao palco com meu
irmão para cantar “This Love” do Maroon 5. Depois da pior (ou melhor, depende
do ponto de vista) performance da minha vida, o bafento continuava lá e
aplaudia meu desastre musical. Tive então um insight de ALTÍSSIMO NÍVEL: vou
pedir ajuda ao meu irmão. E contei pra ele sobre as questões bucais de J.
Vinícius (meu
irmão) vai até a mesa, olha pra ele e fala:
–
Acredito que minha
irmã não vai voltar a sentar contigo.
–
Por que?
–
Porque tens o pior
bafo que algum ser humano já sentiu.
Obrigada, mano. Fico te devendo
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