Todos
tiveram um primeiro amor. Até os seres humanos que melhor poderiam
ser caracterizados como ¨curvas de rio¨ tiveram o seu. Eu, não. Eu tive minha
primeira humilhação. Note bem: PRIMEIRA. Não única, não última, primeira.
Eu era a gorda da turma, mas não
a burra. Bem pelo contrário, sempre fui bem inteligente, e inteligente o
suficiente para saber que o bonitinho da turma não ia gostar de mim, a vida é
assim mesmo, então fui baixando meus padrões. E continuei diminuindo conforme
notava a não reciprocidade. Nesse momento aparece na minha vida o Ney ,
diminutivo de Endrisney, coleguinha novo de aula.
Ney era um garoto alto demais para a
idade, tímido, raquítico e cheio de espinhas. Para completar, não era
muito inteligente, quase o sonho de consumo de uma menina de 13 anos. Em razão de uma prova em dupla, com as duplas
sorteadas, nosso relacionamento foi iniciado. Fiz a prova inteira sozinha porém
feliz da vida de ter um menino ao meu lado
No dia seguinte fui declarar meu
eterno amor à Ney. Tinha encontrado minha metade da
laranja, minha alma gêmea, o Ying do meu Yang. O iaiá do meu ioiô. Encontrei
com ele no pátio, ao sinal do recreio, numa aparente tentativa de desviar de
mim. Não me importei e fui até ele.
¨Ney, eu te
amo¨, eu disse.
Como eu
sempre causo variadas sensações nas pessoas ele
peidou alto e em seguida se cagou nas calças.
Até hoje não
entendi por que nunca mais o vi.
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