terça-feira, 17 de setembro de 2019

Primeiro...


Todos tiveram um primeiro amor. Até os seres humanos que melhor poderiam ser caracterizados como ¨curvas de rio¨ tiveram o seu. Eu, não. Eu tive minha primeira humilhação. Note bem: PRIMEIRA. Não única, não última, primeira.
            Eu era a gorda da turma, mas não a burra. Bem pelo contrário, sempre fui bem inteligente, e inteligente o suficiente para saber que o bonitinho da turma não ia gostar de mim, a vida é assim mesmo, então fui baixando meus padrões. E continuei diminuindo conforme notava a não reciprocidade. Nesse momento aparece na minha vida o Ney , diminutivo de Endrisney, coleguinha novo de aula.
            Ney era um garoto alto demais para a idade, tímido, raquítico e cheio de espinhas. Para completar, não era muito inteligente, quase o sonho de consumo de uma menina de 13 anos.  Em razão de uma prova em dupla, com as duplas sorteadas, nosso relacionamento foi iniciado. Fiz a prova inteira sozinha porém feliz da vida de ter um menino ao meu lado
            No dia seguinte fui declarar meu eterno amor à Ney. Tinha encontrado minha metade da laranja, minha alma gêmea, o Ying do meu Yang. O iaiá do meu ioiô. Encontrei com ele no pátio, ao sinal do recreio, numa aparente tentativa de desviar de mim. Não me importei e fui até ele.
            ¨Ney, eu te amo¨, eu disse.
   Como eu sempre causo variadas sensações nas pessoas  ele  peidou alto e em seguida se cagou nas calças.
            Até hoje não entendi por que nunca mais o vi.

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